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20090715

Pontes sobre Ilhas de Caos


Consciente Coletivo - Uma Concepção Filosófica
A consciência se desenvolveu sob a pressão da necessidade de comunicação (...) é apenas uma rede de comunicação entre os homens (...) resultado de uma terrível necessidade que durante muito tempo dominou o homem, o mais ameaçado dos animais; tinha necessidade de socorro e de proteção, tinha necessidade de seu semelhante, era obrigado a saber dizer essa necessidade, a saber tornar-se inteligivel; “saber” ele próprio o que lhe faltava, o que sentia, o que pensava.(...)
A consciência não pertence essencialmente à existência individual no homem, mas ao contrário, à parte da sua natureza que é comum à totalidade de rebanho; que não foi, conseqüentemente, sutilmente desenvolvida senão na medida da sua utilidade para a comunidade, o rebanho;”
Nietzsche


A CCP é um portal aberto para se projetar os fragmentos de mundo que se manifestam a nosso redor, para revelar a existência de infinitas Ilhas de Caos nesse oceano do conhecimento. Não serão esses fragmentos que vão nos salvar, mas sim as relações entre eles. É nas relações entre as coisas que está o poder de transformar.
Aqui pretendemos acumular esses fragmentos de mundo, essas Ilhas de Caos, os pensamentos de cada mente-universo. E, depois, permitir que eles façam as conexões, que se construam pontes espontâneas, que se relacionem por si só, sem qualquer vontade de poder, desejo ou imposição de verdade que venha interferir. Trata-se de uma experiência de dar autogestão ao consciente coletivo, que ele se manifeste conforme sua própria natureza.
São todas as mentes-universos que constroem a realidade em que vivemos, que plasmam o universo em que coexistimos, porque necessitam se relacionar, se interconectar, se apoiarem para sobreviver. Mas qualquer visão unificadora, qualquer imposição de monocultura, gera fronteiras entre essas relações. Então é necessário gerar a multiplicidade como luta contra o que é unificador, contra tudo que monopoliza o conhecimento e dele se apropria.
Os avanços da física quântica, aplicada á filosofia e á mística, se traduz num novo paradigma, uma nova maneira de encarar o universo. O aspecto central desse novo paradigma é o deslocamento que leva dos objetos ás “relações”. São as relações entre as particulas de energia que manifestam a matéria, e que determinam a realidade que nós projetamos. A vida é constituída de relações, não de partes.
São os valores que intermediam essas relações que se manifestam nessa realidade. As formas de poder parasitam essas relações, intervém nelas para moldarem suas expectativas, e constroem uma realidade que nos é imposta. Aniquila a espontaneidade dessas relações e deformam a sua natureza. O pensamento unificador impõe os seus valores entre as relações, molda uma realidade única dentro de um universo tão complexo e de múltiplas facetas. E, consequentemente, nos aprisiona, nos mutila, nos rouba as possibilidades de outros pensamentos.
O pensamento unificador, aparentemente, nos dá a ilusão de coesão social, a sensação de que estamos todos de acordo e que por isso está tudo certo. Mas isso não passa de uma manipulação, de forças que se apropriam de nosso “instinto de rebanho” e nos conduza á uma vontade alheia a nós. São “efeitos de realidade” que nos dão a sensação de forma, realidade, individualidade, sociabilidade. Nos dá domínio de poder, pois cria uma espessura, nos dá materialidade. E quem produz em nós tais “efeitos de realidade”, e quais seus interesses? As estruturas de poderes, que nos quer despolitizados, nos fazer perder a plasticidade, a possibilidade de consciência múltipla. A mentalidade que protege somente o que é racional, que assassina todas as possibilidades de outras interpretações, que a geometria da mente estacione num só ângulo - o ângulo deles!
Os valores, que constroem pontes entre as relações, devem ser transmutados, para manifestar uma realidade múltipla, diversificada, em que os pensamentos possam coexistir (em vez de disputarem e destruírem-se entre si). Tais valores devem ser naturais, que floresçam das próprias novas relações, e não valores impostos, determinados e avaliados pela moral de uma classe. Porque é lógico que, dando-se liberdade para as relações se manifestarem de acordo com sua própria natureza, tais relações construam valores baseados na liberdade!
Toda mente-universo que se manifesta constroe um trecho do universo, plasma sua energia que é única e ao mesmo tempo universal. A visão múltipla alimenta o mundo, dá cores, vozes, é música, beleza, movimentos, fluxos de ritmos e saberes. Qualquer mutilação ou assassinato do pensamento diminui o mundo, é perda para o consciente coletivo, pois nos rouba a oportunidade de conhecer a multiplicidade de possibilidades que aqui se manifestam. Nos rouba a perspectiva de ver e conhecer o “outro”.
São infinitos os caminhos que o universo proporciona, então por que ficarmos congelados, blindados numa única interpretação de mundo? Que tipo de força nos faz canalizar uma única fonte de vida do universo? Tais perguntas devem ser encaradas, devem ser postas na mesa, para que nos libertemos do caminho que nos foi determinado, que nos foi formatado. É preciso auto-enfrentamento, perguntas para si mesmo.
A CCP, como um Portal do Consciente Coletivo, abre as portas de multiuniversos. Nenhum dos pensamentos aqui depositados devem ser hierarquizado, considerado mais fundamental que o outro, porque a intenção não é disputar uma verdade (uma verdade é um caminho único), mas revelar as infinitas manifestações de todas a mentes-universos que fluem na coexistência das idéias. Também não é somente depósito de idéias, é fonte para relações entre essas idéias, espaço para interconectar esses pensamentos, sem valores impostos, sem intervenção de qualquer desejo ou vontade de poder. A CCP não é um caminho, é ponte de relações que conduz á experiência livre entre todos os caminhos.

Que o caos esteja conosco...!

CCP

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20090528

À MEMÓRIA COLETIVA



Filosofia do Consciente Coletivo

Todo fim de mundo pressupõe o recomeço de outro, dado a transitoriedade das coisas. Alguns planos do universo se desfazem e outros começam a se estruturar, tudo está em permanente transformação. São nesses tempos de recomeço (onde se revela a má interpretação de um apocalipse) que devemos resgatar toda beleza dos tempos que se vão. Guardar em nós o que houver de mais encantador neste agora, que imediatamente se desfaz. O conhecimento do caos, acima relatado, nos ensina que, apesar de todas as atrocidades por nós cometidas, nunca deixamos de semear flores. Não perdemos a capacidade de amar e dividir, ficou em nós a memória dos canteiros adubados, e que agora esperam por novas sementes.

É intenção da CCP trilhar por esses caminhos de transição, colhendo o conhecimento que foi gerado para amadurecer a semente que será lançada no novo chão. Esses são os tempos de construir de uma memória coletiva, de depositar o que fizemos e pensamos até aqui. A CCP pode ser vista como uma pretensão, uma tentativa de resguardar o consciente coletivo, acumular as visões de mundo em combate a atual visão hegemônica do capital. Este que não pretende unir, mas unificar — o que é muito diferente — para fins de controle da memória coletiva, ou, em outras palavras, a serviço de um sistema ideológico do capital. A CCP pode ser encarada como um espaço/tempo anti-histórico, que faz resistência as relações de poder que se apropria do presente que vivemos, e nos condena ao peso do passado e ao temor do futuro. Para nós o Agora é nosso Caminho Sagrado.

Que esse consciente coletivo não nos envergonhe. Que não seja coisa manipulável, utilizado como forma de poder de um movimento de ressentidos, ou destinado a transformar-se em mercadoria. Que seja pretensão libertária. Que nos deixem pasmos diante de tamanha diversidade que a realidade comporta, que nos deixe maravilhados com a eternidade de todas as transitoriedades, que nos impulsione a melhorar o que é belo e a aprender com o que é feio. Que abra os olhos de nossas mentes a todas as possibilidades de existência que aqui pretende coexistir. Até que, enfim, encontremos as portas que nos levem a percepção de todos os universos que aqui convergem. Porque precisamos romper com o paradigma da competição, da propriedade do pensamento, do imperialismo da ciência, da exploração do trabalho, e preparar a próxima geração para os tempos em que a coexistência será uma necessidade, uma emergência de vida. Uma experiência inescapável.

Essas redes que agora nascem em todos os pontos do planeta estão se conectando, interagindo, e buscam compartilhar o conhecimento para sobreviverem ao grande desastre, ao colapso de civilização que se aproxima. Ou, mais precisamente, já está entre nós! Não se trata mais de oposição ao sistema, de luta de classes, de revolução, reforma ou revelação de algum messias. Esse tempo não mais nos pertence, já rompemos com a necessidade de impor alguma verdade. Trata-se agora da sobrevivência da espécie como entidade coletiva. Da descoberta e des(envolvimento) de um consciente coletivo que nos conduza à concepção de “todo”.

Acreditamos que devemos encarar todos os nossos erros, cometidos até aqui, como processos de aprendizagem. E não como pecado, imperfeição, ato inadequado, comportamento indesejável, coisa de bicho ou de gente que não virou gente. Somos criaturas em processo de transformação. Um eterno devir. Temos o direito ao erro na mesma proporção que temos o direito ao perdão e ao recomeço. Mas jamais devemos abrir mão da experiência, de vivenciar as coisas, de pensar e agir conforme nossos sentidos e desejos, e, depois, transformar o que nos indigna.

Aqui uma vez já foi dito que não pretendemos a perfeição. Revelar alguma verdade. Doutrinar algum caminho, ou gerar conceitos que cristalizem a passagem das coisas. Apenas oferecemos - a nós mesmos! - a possibilidade de vivenciar as coisas através de nossas próprias experiências, de trilhar nossas próprias buscas, de sermos filósofos sobre nós mesmos, e encontrarmos os caminhos da autoiluminação.

Não somos uma finalidade, um meio, um caminho. Somos tentativa direcionada. Não somos uma palavra posta, imposta, ou composta. Somos uma proposta. Não temos uma opinião formada, apenas construímos processos de formação de opiniões, e sem a finalidade impô-la como verdade. Não temos lógicas, não dependemos de respostas, pois até mesmo a ausêncianós mesmos. delas nos diz algo. Somos questionamentos! E são os questionamentos que modulam e, ao mesmo tempo, espatifam nossos corpos de plasma. A CCP desafia ninguém mais do que a nós mesmos.

Acreditamos que, ao se cooperar com a busca do conhecimento, ao se libertar a linguagemcompartilhar da sabedoria dos povos, será encontrado o ponto onde tudo converge. Onde tudo pode ser equilíbrio. Mas é preciso, antes de tudo, não temer ao caos. Aceitar a existência de suas dualidades positivas e negativas, e compreender que o conjunto dessas dualidades configura a força original do universo. Não temer ao caos significa não fugir ao desafio de ver, ouvir e sentir o “outro”, como se fossemos “nós” mesmos... É preciso aprender a enfrentar as nossas próprias ilimitações, e encontrar o caminho do meio
das relações de poder, e ao através da balança do caos!

Que o Caos esteja conosco...

CCP

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20081107

CCP ???

A CCP funciona como um portal, um canal, que capta Visões de Mundo, para manter a pespectiva multipla do mundo. Há milhares de formas de pensamentos, cada mente é um universo. E todo universo deseja expandir, toda mente necessita coexistir.

O pensamento hegêmonico tem tentado afogar essa perspectiva múltipla, tem ambicionado a decifrar os enigmas do mundo. Mas não há mistério algum na vida a ser solucionado por nós. Somos o “entre nós”, todas as mentes-universos, cada qual com sua singularidade, as chaves que abrem as portas do conhecimento.

A aparencia é de Caos. A montagem do quebra-cabeça desse caos cabe a você, que acessa o portal. É importantissimo que você acione o seu imaginário, abra as portas de sua mente-universo, para interpretar e refletir acerca dessas tantas visões de mundo. E, por fim, criar a sua própria visão de mundo. Isso é um início de pensamentos sistêmicos, de conexões em redes.

A Intenção é a formação de uma memória coletiva. Manter isso é mais que resistência, é questão de co-existência! Visamos acumular nesse portal uma espécie de acervo coletiva, manter um registro dessas tantas linhas de pensamentos (com exceção de meras especulações)! Há muita vida lá fora além dos horizontes que foram construídos para nós. A CCP busca as interpretações que estão fora do discurso hegemonico, deixar um registro da historia do pensamento coletivo vivo.

Nosso ideal é apagar a hierarquia entre as idéias e essas visões de mundo, de que nenhuma é mais elementar que outra, para que a memoria coletiva não fique estamentada. Para que todas as visões e pontos de vistas possam ter seu lugar ao sol, acabando com o paradigma da intolerância correlata, e assim, se dê a co-existência sistêmica.

Aqui o autor é assassinado! A memoria coletiva não comporta o ego do gerador de informação, conhecimento ou interpretação de mundo. É preciso socializar o conhecimento! Ele pertence a comunidade, não deve ser apropriado, monopilzado, estatizado ou privatizado. Nesse sentido, o anonimato deve ser esclarecido não no sentido de “ocultar-se”, “camuflar-se”, “esconder-se”, mas na intenção de suprimir a identidade. Aqui o individuo tem a oportunidade de aderir a um todo, de ser uma mente se concetando a uma grande rede de mentes em ebulição. Não acreditamos mais nos antigos paradigmas dos direitos de propriedades das idéias.

A CCP é uma cúpula de idéias, onde nenhuma idéia veio pra dominar, mas se pertencerem. A cúpula é nosso crânio, nosso corpo terrestre, nossa parcela de matéria e ação nesse mundo. O resto é coletivo. A cúpula não é segregadora, mas libertadora. O objetivo da CCP é reunir as várias cúpulas que existem neste planeta e provocar uma ebulição de existência. Emergir a real presença de atores ativos e pensantes que tem algo a dizer, mas não desejam impor. Como manter essa perspectiva? Os colaboradores da CCP podem enviar suas “visões de mundo”, abrindo mão da propriedade de suas idéias, em nome do portal da CCP. O que está no portal da CCP não pertence a mais ninguém como individuo, entidade ou instituição. Tudo passa a ser uma “projeção” do consciente coletivo, ou da Visão compartilhada (VC).

Nós, que aqui iniciamos essa ambição coletiva, não somos uma cúpula dentro do coletivo, somos apenas os propulsores de um movimento em rede, desse inevitável contexto histórico que agora se apresenta. Somos gente como todos vocês, que possuímos a capacidade de pensarem por nós mesmos, que desejamos expressar o que nos indigna e o que nos faz amar.

Não desejamos tomar o poder, e nem queremos que um poder nos tome! Pois que já descobrimos que o poder é para os desvirtuosos, para os que não compreenderam a beleza da coexistência; para os avaros que temem compartilhar sua “parte” com o “todo”.

Tampouco queremos construir utopias, pois não construimos nada, apenas compartilhamos o que já existe no caos e se projeta dentro de todos nós.

Estamos conectados no presente, não temos passado e nem projetamos algum futuro. O Agora é nosso caminho sagrado. Nosso céu é um manto de devires. Paradigmas de pensamentos cada vêz mais cooperativos fluem na mesma direção, e desejamos acompanhar o processo do conhecimento e da vida junto com todas as mentes-universo que acreditem nessa idéia.

A autonomia mental e a independência ideológica são as armas fundamentais da CCP. A geometria da mente é nossa estratégia. Um multimundo é nosso alvo.

Não queremos mais a interpretação de mundo e a experiência social que nos foi imposta. Queremos saber mais sobre o “todo”, queremos conhecer o “outro”, queremos a possibilidade de confrontar as “nossas diferenças”, queremos nos conectar com “A Rede”.

E nosso desejo é que, com o tempo, e se a História nos permitir, que a CCP entre em processo de autogestão.

Que o Caos esteja conosco...

CCP

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